Quando olho para um setor industrial, penso logo na energia. Já vi como pequenos detalhes em sistemas de média tensão podem definir funcionamento ou parada total de linhas de produção. Entre eles, os cubículos de média tensão são um ponto de atenção especial. São essenciais para garantia do fornecimento elétrico contínuo e seguro, além de serem um requisito para operar dentro das normas, como NR-10. Com base na minha experiência, trago recomendações práticas para evitar falhas nesses equipamentos, pensando em reduzir riscos, prejuízos e manter processos industriais rodando com segurança. E, claro, falo não apenas como entusiasta do tema, mas também conectando com a vivência que temos na AgaVolt Engenharia.
Entenda o que são cubículos de média tensão
Antes de qualquer recomendação, acho que faz sentido compartilhar o conceito básico. Cubículos de média tensão são painéis metálicos (ou de material isolante) que abrigam equipamentos de proteção, manobra e medição em sistemas elétricos industriais com tensões normalmente entre 1 kV e 36 kV. Eles servem como pontos de conexão entre subestações, transformadores e linhas de distribuição. Funcionam como barreira física, reduzindo riscos de contato acidental e auxiliando na organização e segurança da instalação.
Principais causas de falhas em cubículos industriais
Pela minha experiência, muitos problemas não surgem de grandes descuidos, mas de pequenas falhas no dia a dia. Reuni os pontos que mais observo nos projetos e revisões, seja diretamente nas inspeções da AgaVolt Engenharia, seja nos laudos emitidos para nossos clientes:
- Acúmulo de poeira e poluentes internos, que aceleram a degradação dos componentes
- Mau dimensionamento de componentes (cabos, disjuntores, isoladores)
- Conexões frouxas, que resultam em aquecimentos e pontos de arco elétrico
- Falta de atualização nos estudos de proteção e seletividade
- Infiltração de umidade
- Ausência ou deficiência de manutenção preventiva
- Obsolescência de equipamentos que não acompanham a evolução das normas técnicas
Esses fatores, se ignorados, podem causar desde interrupção temporária até danos irreversíveis a máquinas e, em um caso mais grave, acidentes com pessoas.
Recomendações para evitar falhas
Inspeções periódicas são prioridade
Reforço que a inspeção visual e termográfica deve fazer parte da rotina. Procuro sempre checar:
- Integridade de isoladores
- Aparência de conexões (se há escurecimento ou deformação)
- Pontos de aquecimento anômalos
- Presença de poeira, resíduos ou insetos
Nessas inspeções, é comum flagrar detectores de calor mostrando pontos críticos escondidos. Uma vez, em uma indústria automotiva atendida pela AgaVolt Engenharia, identifiquei um aquecimento perigoso justamente em um terminal aparentemente estável. A substituição imediata evitou uma parada total com grandes prejuízos.

As inspeções são a linha de frente na prevenção de falhas: elas mostram problemas antes dos sintomas.
Padrões de limpeza e organização
Mantendo o ambiente limpo, risco de arco elétrico e curto-circuito caem drasticamente. Recomendo criar um calendário de limpeza específico para cubículos, preferencialmente mensal. E nunca utilizar líquidos de limpeza diretamente nos componentes, apenas panos secos ou levemente umedecidos.
Além disso, a organização dos cabos, barramentos e etiquetas facilita diagnósticos rápidos, acelerando correções em caso de necessidade.
Manutenção preventiva estruturada
Sempre gosto de destacar: a manutenção preventiva deve ser programada, baseada em checklists detalhados e registro de todas as intervenções. O melhor caminho, na minha visão, é incluir:
- Limpeza detalhada interna
- Aperto dos parafusos de conexão
- Reaperto e verificação em chaves seccionadoras e disjuntores
- Testes funcionais dos sistemas de proteção
- Medição de resistência de isolamento e continuidade
- Verificação da vedação contra umidade
Podemos consultar mais sobre rotinas e exemplos práticos no acervo sobre manutenção no blog.
Prevenir é sempre mais barato do que consertar após uma falha.
Comissionamento adequado e atualização técnica
Muitos não entendem o papel do comissionamento. Na minha prática, percebo que testes e ensaios no momento da instalação validam a montagem e a configuração dos sistemas de proteção. Quando comissionamos na AgaVolt Engenharia, documentamos cada detalhe para garantir que, mesmo anos depois, a base está correta. Recomendo atualizar documentação e rever ajustes a cada ampliação ou mudança de layout industrial. Dicas e técnicas sobre comissionamento podem ser vistas na categoria comissionamento do nosso blog.
Conformidade com normas e laudos técnicos
Já presenciei empresas sofrerem sanções e atrasos por pequenos descuidos na documentação e conformidade com a NR-10. Por isso, reforço a necessidade de elaborar laudos técnicos detalhados e manter ARTs de manutenção e responsabilidade técnica atualizadas no CREA. Isso amplia a segurança operacional e respalda decisões junto a seguradoras e órgãos fiscalizadores. Se quiser conferir exemplos de conformidade e laudos, indico acompanhar nosso material sobre conformidade.
Estudos de proteção: o segredo silencioso
Na prática do dia a dia, vi que muitos esquecem dos parâmetros de proteção depois que o sistema entra em operação. Recomendo como rotina:
- Revisar periodicamente os ajustes das relés e disjuntores
- Atualizar estudos sempre que houver mudança relevante na configuração de cargas
- Simular cenários de falha para garantir seletividade
Essas medidas permitem que sistemas respondam rapidamente a falhas, minimizando consequências e reduzindo tempo de parada.

Esse processo é detalhado em nossos cases técnicos publicados, mostrando como uma análise bem feita evita surpresas.
Capacitação recorrente da equipe técnica
Não adianta tecnologia se a equipe não entende ou opera inadequadamente. Faço questão de incentivar treinamentos regulares e reciclagens, especialmente sobre normas, primeiros socorros e manobras seguras. Isso evita erros de operação que, às vezes, são fontes de falha.
Conclusão
Falhas em cubículos de média tensão não acontecem por acaso. São quase sempre resultados de escolhas: fazer ou não a manutenção, atualizar ou não os estudos de proteção, e principalmente, respeitar ou não as boas práticas técnicas. Cuidar preventivamente desses sistemas é proteger a produção, as pessoas e o investimento da indústria.
Se você deseja saber como podemos ajudar seu projeto industrial a operar de forma segura e confiável, recomendo conhecer a AgaVolt Engenharia. Nosso time está pronto para traduzir experiência em soluções práticas para sua empresa.
Perguntas frequentes
O que são cubículos de média tensão?
Cubículos de média tensão são painéis que reúnem dispositivos de proteção, manobra e medição em sistemas elétricos de 1 kV a 36 kV. Servem para organizar, isolar e proteger os componentes, facilitando intervenções e aumentando a segurança nas indústrias.
Como evitar falhas nesses cubículos?
Na minha experiência, recomenda-se: realizar inspeções regulares, limpeza frequente, manutenção preventiva com checklists, revisão dos estudos de proteção e capacitação constante dos operadores. Assim diminui o risco de falhas e aumenta a confiabilidade do sistema.
Quais os sinais de falhas iminentes?
Alguns sinais incluem aquecimento anormal em conexões, presença de ruídos estranhos, cheiro de queimado, falhas em relés de proteção, escurecimento ou corrosão de peças e disparo inesperado de disjuntores. Atenção a esses indícios pode evitar acidentes.
Quanto custa a manutenção preventiva?
Os custos variam de acordo com a complexidade da instalação, a quantidade de cubículos e a frequência das intervenções. Porém, o investimento em manutenção preventiva costuma ser muito menor do que os gastos gerados por paradas inesperadas ou falhas graves.
Quais os principais benefícios da manutenção?
A manutenção periódica reduz paradas não planejadas, aumenta a vida útil dos equipamentos, melhora a segurança, garante conformidade legal e diminui custos de emergência. Adotar esse hábito traz tranquilidade para quem administra sistemas industriais.